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September 23 O sofrimento social é a causa da desesperança e do pessimismoO sofrimento social é a causa da desesperança e do pessimismo Recentemente, presenciamos nosso governante máximo atribuir as dificuldades vividas ao pessimismo de tantos, impedindo a visualização de uma melhor imagem do que se passa com o país. Na verdade, o pessimismo é um mal secreto que aflige o povo sofrido e desesperançado. Todavia, o reconhecimento de que é preciso “mudar” representa um alento salutar. Por certo a sociedade não quer ser mera expectadora dos fatos, ela clama pela sua transformação, e esse clamor vem da força do otimismo que lhe sustenta. Paradoxalmente, estar pessimista é até admissível, diante de tudo que se lhe descortina, contudo, imperiosos se torna revestir-se de uma certa leveza e buscar meios criativos de preservação dos ideais sublimes que sustentam a Humanidade. Não crêem os brasileiros que o mundo seja o pior possível, nem que tudo seja ruim e mal, ou que esteja perdido numa escuridão sem fim, mas que contra tudo e contra todos, é preciso lutar para que o melhor possa acontecer, quer na vida pessoal, quer em sociedade. Pode até parecer que a visão positiva ou negativa do mundo decorra não dos fatos, mas de atitudes, porém não se pode negar nem esquecer que atitudes levam a fatos. É verdade que temos o poder de escolha sobre nossas atitudes e que as escolhas podem ou não avivar a esperança, mas não enquanto a sociedade vive um sofisma. Tudo é ‘aparentemente’ melhor, mas de palpável e concreto pouca coisa ou nada se realiza, muita falácia... Os discursos fartos apresentam soluções desejáveis, mas a realidade constata os absurdos, dissimulação de ilusões das ‘verdades’ anunciadas. O país parece mais estar sendo governado por um grupo de pensadores da sofística helênica, de malabaristas de argumentos sedutores, mais sedutores do que plausíveis. A principal doutrina sofística expressada pela máxima de Protágoras, de que "o homem é a medida de todas as coisas", apenas tem levando à lamentável crença de que para triunfar no mundo, não é necessário justiça e retidão, mas prudência e habilidade, e a realização da Humanidade perfeita passa a não residir na ação ética, no domínio de si mesmo, na justiça para com os outros, mas no engrandecimento ilimitado da própria personalidade, no prazer e no domínio violento dos homens, a qualquer custo, com a finalidade precípua de possuir e gozar os bens terrenos, visto estes bens ou valores serem limitados e ambicionados por outros homens. Daí resulta, como estamos vendo restar mundo afora, a única forma de vida social possível num mundo em que estão em jogo unicamente forças brutas, materiais, a forma violenta, injusta e truculenta, onde se tem prejudicada a igualdade entre os fortes e os fracos, pois a verdadeira justiça conforme a natureza material, exige que o forte, o poderoso, oprima o fraco em seu proveito. A sociedade torna-se palco, muitas vezes de atos arbitrários, tirânicos, em nome de um bem que inexiste ao seu dispor – saúde, educação, segurança, respeito, justiça, igualdade, solidariedade etc – fundado não sobre a natureza gregária e racional do homem, e sim sobre a sua natureza animal, instintiva, passional, prevalecendo o domínio do mais poderoso, pois em uma sociedade em que estão em jogo apenas forças brutas, a força e a violência acabam sendo os únicos recurso, meios ou elementos organizadores, o único sistema jurídico possível. Pergunta-se: é possivel ser otimista diante de um quadro que reclama por mudanças e resiste? |
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